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<...continuação
A
altitude que eu me encontrava era de 3700 mt e quando soprou um
pouquinho mais forte ( 12 mais ou menos ) decolei . Eram 11:00 hs e
tinha me proposto que ia voar só até o meio dia . Fiz
isso . Coloquei 300 m da decolagem , bati lift, fiz algumas manobras
para testar o equipo , o ar rarefeito e eu mesmo - beleza . A térmica
mais forte que peguei ( ela me pegou - ausência total de
urubus ) foi de 5 e a coisa já se mostrava turbulenta . A
partir do meio dia a coisa detona e o pouso complica , pois o vento
de vale aumenta muito e as térmicas começam a
despreender forte . Pousei ao redor de meio dia com direito a alvo
do lado da estrada . Dobrei o paraca , atravessei a estrada e num
segundo apareceu outra van que me levou de volta para Huaraz . Com o
dia ganho almocei com os amigos um "Lomo a lo pobre" . O
custo total do meu trasporte ficou em U$ 15.00 .
Dia 24
partimos para a segunda etapa da expedição . A que
estava - Artesonraju (6025 mt ) - era composta por nós 6
brasileiros , 3 guias peruanos , 1 cozinheiro e 3 carregadores . Ao
todo foram 5 dias . 1- campo base ( 4200 mt ) ; 2- campo 1 ( 4800 mt
) ; 3- descanso ; 4- campo 1 - cume -campo 1 ; 5- retorno. A região
onde fica o Artesonraju é simplesmente maravilhosa com muitos
picos alucinantes em volta e uma lacuna cor turquesa em meio a
aridez . O Artesonraju é uma pirâmide perfeita de puro
gelo e ficamos todos os dias namorando a face que iríamos
ascalar .
Fizemos uma reunião para decidir a formação
das duplas de escalada .Como a escalada é muito térmica
os times vão encordados e com muita segurança ,
estacas , grampos de gelo , grampões , etc . Esta formação
de duplas é muito delicada , pois se um desistir , volta toda
a "cordada",devido a impossibilidade de deixar um
companheiro esperando pregado na parede .
Enfim , os
outros que estão na mesma cordada perdem a escalada . Éramos
em 3 duplas e somente a minha (Mazzotti e eu ) chegou ao cume .
Foram 19: 30 minutos para escalar do campo 1 ao cume e retornar .Saímos
a 01:00 e chegamos de volta ao acampamento as 20:30 hs . Nas outras
2 duplas , 1 da dupla se sentiu mal e tiveram que abortar a escalada
. Com isso frustou os que estavam bem - Renato e Schiochet .
Posteriormente
os dois fizeram uma nova investida a esta montanha , abrotando a
escalada do objetivo 3 - Huascaran , connseguindo chegar ao cume .
No Alpamayo o Adriano conseguiu chegar ao cume após 7 dias de
escalada . Retornando de novo a Huaraz , já no dia seguinte
fomos a Lima . O motivo era fazer uns testes físicos para uma
dupla de nutricionistas que estão fazendo um teste de
mestrado sobre nutrição em alta montanha . Quando deu
uma folguinha ....adivinhem ... fui voar . Peguei um táxi e
fui até o local de "despegue". É um san
Isidro , na costa , numa praçinha .
Conheci alguns
voadores de Lima - pessoal super hospedeiro e simpático -
Batista , Erwin , Antônio e o Franz que tem uma escola a 50 mt
da decolagem . Para quem for a Lima o Batista aluga quartos em sua
casa , que fica em Miraflores . Bem , fiz um vôo dinâmico
de aproximadamente 20 minutos . Parei porque estava muito escuro- já
era noite . O relevo é do tipo falésia de frente para
o mar , desnível de 100 - 150 mt e dá uns 30 km possíveis
de vôo - liftão . Voltamos a Huaraz e começamos
a nos preparar para a última empreitada - o Huascaran e o vôo
do cume.
Nosso time agora era de 5 montanhistas ( Rafael ,
Jorge , Adriano , Adair e eu ) . Ainda compunham a nossa expedição
um guia ( Abel Colana ) e dois carregadores , um dos quais (
Cezar ) desginado a me ajudar a carregar o parapa morro acima .
Eu seria o terceiro da temporada a tentar esse vôo .
O primeiro foi um alemão que conseguiu uma ótima condição
de decolagem e fez um pregão / cross de 25 km . Pousou num
aeroporto a uma altitude de 2900 mt . O desnível total do vôo
dele foi de 3900 mt . Esta era a minha intenção . A
outra tentativa foi de um suiço . Não conseguiu
decolar devido ao forte vento no cume . No seu retorno ao campo 2
uma fatalidade . Seus grampões soltaram do pé numa das
inúmeras paredes de gelo e ele caiu numa fenda profunda no
glacial(greta) vindo a falecer . Seu amigo que estava com o
parapente às costas , se salvou , mas totalmente quebrado .
Ficou dentro da greta 2 dias antes de ser resgatado . Normalmente são
necessários 5 dias para escalar o Huascaran , se o tempo se
mantém firme . Partimos do vilarejo de Musho ( 3 horas de
Huaraz de carro ) a uma altitude de 3000 mt e no 1dia chegamos ao
campo base a 4200 mt após 3 hs de caminhada .
No
base conheci um basco , Aitor , que ficou doido quando soube que eu
estava com um paraca ali - ele também era voador . Ele estava
só e fazia uma escalada "em solo" . No segundo dia
alcançamos o campo 1 a 5100 mt , já adentrando em zona
de gelo ( glacial ) . No terceiro dia chegamos ao campo 2 a 5800 mt
de altitude , após 6 hs de caminhada / escalada . O Basco
sempre com a gente , excelente escalador e companheiro . Só
me assustava a sua falta de cuidados com a segurança . Pontos
realmente difíceis que fazíamos sempre com corda e
pinos cravados no gelo , ele fazia de forma livre .
Bem ,
chegamos ao campo 2 as 14:00 hs e decidimos sair "bem temprano".
O combinado foi partir para o cume a 01:00hs do dia 6 de agosto , e
foi o que aconteceu . O normal é sair entre 03:00hs e 04:00hs
, mas os motivos de sair mais cedo eram 2 . Primeiro eu tinha de
chegar , no máximo , as 09:30hs , pois a partir das 10:30 hs
seria muito difícil decolar , devido a chegada de nuvens e
precipitações que todos os dias vem do leste ( da
selva ) . O outro motivo era aumentar as chances de sucesso de todo
o grupo , pois já tinhamos 2 muito cansados . A escalada
desta última etapa , campo2 - cume , leva normalmente de 7 a
8 horas , por isso saímos bem cedo para garantir . Entrei no
saco de dormir as 19:00hs e curti minuto por minuto o conforto do
saco e da barraca até a hora de partir . As 23:00hs o Abel e
o Cezar ligaram o fogadeiro de alta pressão e começaram
a derreter gelo para fazer água . Tá na hora .
Brrrrrrrrr!!!!!!!!!! Só o meu nariz para fora do saco .
continuação...> |