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<...continuação
O
dia clareou e o sol bateu quente. As mãos e os pés
pararam de doer do frio extremo. Passamos algumas gretas, algumas
paredes de gelo e, enfim, chegamos ao cume às 13:30h,
completamente exaustos. Dali a uma hora eu conseguiria decolar
daquela montanha majestosa para o meu mais imoprtante vôo no
Paramontanhismo. Muito abaixo, em Nido de Condores, expedições
de diversos países do mundo pararam para assistir meu vôo
(também tenho ego, pô).
A
decolagem foi punk. O vento (entre 15 e 30 km/h) entrava de frente
na rampa, mas sua direção geral era NW, no sentido do
Illimani , ou seja 90º da face da montanha . Isso fez com que o
vôo próximo à montanha estivesse muito
turbulento. Decolei de uma plataforma de gelo inclinada uns 30º,
bastante segura, a uns 20 metros de um abismo. Quando cheguei ao
abismo, já em vôo , estilinguei para cima passando do
cume e chacoalhando pacas. Mãos firmes nos freios. No momento
tive dificuldade de ficar sentado, pois estava entupido de roupas e
de equipamentos de escalada e não podia tirar as mãos
dos freios. Tive receio de ir para atrás da montanha ,para o
rotor ( zona sem controle de vôo), pois a velocidade do vento
se intensificava muito para cima da montanha. Se tivesse que atirar
para trás,fugindo do rotor , não sei para onde iria.
Para trás havia um mar de cúmulos escurinhos, com topo
a 6000m e o chão baixando a 2000m. Porém o ar
rarefeito fez com que a velocidade do velame fosse muito maior que o
esperado. Parecia que eu estava com um de competição.
Avancei bastante para frente, passei por Nido de Condores e fiquei
um tempinho rodando, aproveitando umas térmicas e deixando a
galera fotografar.
Afastado das encostas da montanha o vôo
passou de turbulento a agradável. Fui para o vale e aí
foi só curtir 45 maravilhosos minutos. Pousei 2000m abaixo da
decolagem, no Campo Base. Meus
amigos só chegariam no dia seguinte, após muitas horas
de caminhada, enquanto eu desci em 45 minutos, confortavelmente
sentado e curtindo todo aquele visual. À noite, para dormir,
tive que pedir emprestado um isolante térmico (colchonete) e
me enrolar no querido paraca. Dormi bem, sob temperaturas negativas
e um céu muito estrelado de ar rarefeito, repleto de estrelas
cadentes.
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