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Mas nem tudo era sofrimento. Nesta noite chegamos esfomeados ao trecho do rappel e nos divertimos muito por 8 horas. Era uma sequência de intermináveis descidas grandes e pequenas dentro de um maravilhoso canion que de tão estreito parecia uma caverna. O resgate nesse local era impossível; razão pela qual era considerado crítico pela organização e foi-nos oferecido uma variante que passava pelo PC12 no alto de uma montanha próxima, evitando esses riscos. Recusamos e "brincamos" dentro do canion e no final, após uma alucinante e perigosa escalada ( tendo o caminho marcado por inúmeros bastões luminosos ) alcançamos o último rappel , este de 100 m era supervisionado pela organização e feito simultaneamente pelos 4 integrantes. A lanterna do Ênio acabou a pilha no meio da descida, e ele terminou o rappel apenas com a luz da lua. Eram 3 horas da manhã de uma noite enluarada em um lugar absolutamente maravilhoso.

Dormimos fartamente (por 4 horas) na entrada de Taghia. Calados , ouvíamos sons de galos cantando. Seriam alucinações ? Sonhos ? Realidade ? Não eram galinhas mesmo e das que punham deliciosos ovos ! E após o melhor , ou o mais valorizado "Breakfast" de nossas vidas (pão árabe e 3 ovos para cada um), partimos e a noite alcançarmos o PC que iniciaria a etapa dos cavalos.

Cavalos ou dragões ? Fomos avisados que seriam animais difíceis. Garanhões Berber inteiros do exercito Marroquino sob uma estranha sela . Pareciam sair "fogo pelas ventas". O primeiro trecho noturno foi muito frio por não estarmos em exercício . Após uma parada para descanso obrigatória dos cavalos, um dos nossos animais, por aparentar estar doente, foi trocado por outro que , não havia dúvida, era mesmo um dragão. Mal humorado e com vontade própria , deu uma canseira no Leo que optou para cavalgá-lo, chegando completamente esgotado no CAMP 2 , onde deixaríamos os animais.

Este era o único lugar de toda a competição em que a organização oferecia algum tipo de apoio (alimentação e assistência médica). Recebemos novos mapas com orientação sobre o percurso e modalidades que viriam, além de um kit com medicamentos e informações sobre problemas com a altitude. Acreditávamos não ter mais condições de caminhar e quase desistimos ao perceber o que nos esperava: 60 km de treking (acabava-mos de fazer 110 km) , desta vez a 4.100 mts de altitude em uma topografia ainda mais acidentada e noites mais frias. Exaustos pensamos em dormir no acampamento mas uma dica do Mark Burnett nos "salvou": "- Saiam o quanto antes e durmam nas montanhas pois , caso contrário , vocês desistirão."

Abastecidos, partimos ao escurecer. A noite veio extremamente fria e escura. Devido à dificuldade de orientação, dormimos até o aparecimento da lua que , apesas de minguante, nos ajudou bastante. A partir daí atingimos a altitude máxima da prova. Passamos pela baixa de oxigênio, desidratação, estafa, diarréia e muito frio nesta fase e pensávamos que mais nenhuma dificuldade poderia nos atingir. Animados, encontramos a equipe francesa que estava desfalcada de seu elemento feminino. Com ritmo forte em uma íngreme subida (eram excelentes escaladores) não pudemos acompanhá-los e nos vimos numa situação perigosa. Sem muita experiência, optamos pelo pior: nos separamos porque cada um julgava ser o seu caminho o mais seguro. Assim fomos surpreendidos por um helicóptero que resgatava a equipe da África do Sul. Passávamos por um momento de grande stress e ainda tivemos de nos esconder temendo a desclassificação pois contrariava-mos uma regra básica da competição: nenhum membro poderia se afastar por mais de 90 mts . Uma perigosa descida exigiu sacrificarmos boa parte da nossa água , motivo pelo qual curtimos uma bela sede nas próximas horas e noite adentro, além do frio que piorava devido a uma forte ventania. A maior dificuldade no entando , foi de continuar com os pés que doíam de maneira insuportável. Passamos a não tirar mais os tênis para dormir pois não sabíamos se conseguiríamos coloca-los depois.

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Chegada na região de Qalat Mgouna:início do Canyoneering.



Casebre marroquino e seus pobres e hospitaleiros moradores.Sem comida, os brasileiros encontraram uma modesta refeição árabe: pão, chá e azeite.





PC 20 : Posto de check a 3600mts.
Neste ponto os atletas eram submetidos a uma rápida avaliação antes que atingissem a altitude máxima da prova: 4068 mts.





Equipe durante o check no PC 20



PC 21 : 3993 mts.


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