Brasil no Eco Challenge Morocco 98

O Time "Brazil 500 Years" foi a primeira equipe brasileira a competir no Discovery Channel Eco- Challenge, considerada a maior corrida de aventura do mundo.


Por Uriel Santiago e Leonardo Gontijo . Dezembro 1998.

Uriel, Flávia, Leo e Ênio.,

Dois meses se passaram do Discovery Channel Eco Challenge e ainda contabilizamos algumas seqüelas do "pós race" :Uriel com tendinite incurável e o Leonardo com perda de sensibilidade por trauma na inervação do pé. Mas contabilizamos também que de certa forma é inestimável: a magia que é ter vivido sob o céu do Marrocos. Sua cultura, seu povo, sua inocente e agradável hospitalidade nos afetou de maneira irreversível.É mais do que uma corrida de aventura. Ecologia, sociologia , esporte, desafio , exploração e uma incrível necessidade de se adaptar a cada dificuldade da prova se misturam. A todo instante o inesperado. Por três vezes encontramo-nos em situações que achamos que não conseguiríamos. Nestes momentos o astral baixava a zero. Mas logo sobrevinha uma força que se originava da garra , da amizade e do companheirismo, características que nos uniu como equipe. Nunca falhou em nossas aventuras no vôo livre à mais de 5 anos e não seria diferente agora.

Os problemas se iniciaram na largada. A cela do camelo que o Ênio montava era muito grande para o tamanho do animal e girou por duas vezes jogando o Ênio no chão, o que resultou em uma desconfortável mas engraçada situação: O Ênio correndo para pegar o camelo.

No caiaque, organizadores e competidores foram surpreendidos por um mar nada amigável, com ondas de 4,5 m. Nesta etapa 8 equipes necessitaram serem resgatadas e outras tantas foram obrigadas a finalizar a etapa por terra, pois foram impedidas de continuar remando devido às más condições do mar. Completamos toda esta etapa a remo apesar de termos virado três vezes. Vencida essa etapa iniciaria o que esperávamos ser a mais fácil fase da competição: um simples deslocamento de carro. Mas era noite e nosso sonolento chofer parou para dormir. Impedidos de dirigir e de comunicarmos com o motorista (ele só falava árabe) , preciosas horas foram perdidas nesta etapa.

Nervosos com o atraso saímos rapidamente do carro esquecendo parte da nossa comida, o que fez com que a fome marcasse fortemente os próximos 3 dias de treking. A primeira noite desta etapa foi marcado por 8 horas de caminhada em um rio raso porém absolutamente gelado. Sombras , sons e muito sono geravam estranhas alucinações. Estávamos a 40 horas sem dormir. Esta etapa maltratou exageradamente nossos pés. A Flávia ficou com imensas bolhas que carregou com raça até o fim da prova. No início da segunda noite estávamos a 15 km em linha reta de uma vila (Taghia), a 3.400 mts de altitude em uma região extremamente montanhosa e de difícil orientação. Pela falta de alimento fomos forçados a continuar a noite, e pela manhã seguinte nos vimos completamente perdidos.

Desanimados e cansados, o GPS e o rádio que carregávamos lacrados, nos convidava a abandonar a prova como fez a equipe japonesa por este mesmo problema. Não ; enfrentaríamos mais este desafio. Continuamos e encontramos uma família de pastores que pareciam viver no milênio passado , e que com muita dificuldade para comunicarmos, levou-nos a uma referência conhecida, ainda bem longe de nossa trilha. Estávamos de volta a prova e no rumo certo embora houvéssemos gastado 24 horas em um trecho onde a média das equipes foi de 10 horas.

continuação ... >

Analisando o mapa na etapa do Coasteering .


Lançamento do caiaque no PC1.




Final do deslocamento de carro e início do Trekking/Canyoneering



Etapa de trekking no deserto.





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