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Dois meses se passaram do Discovery Channel
Eco Challenge e ainda contabilizamos algumas seqüelas do "pós
race" :Uriel com tendinite incurável e o Leonardo
com perda de sensibilidade por trauma na inervação
do pé. Mas contabilizamos também que de certa
forma é inestimável: a magia que é ter
vivido sob o céu do Marrocos. Sua cultura, seu povo,
sua inocente e agradável hospitalidade nos afetou de
maneira irreversível.É mais do que uma corrida
de aventura. Ecologia, sociologia , esporte, desafio , exploração
e uma incrível necessidade de se adaptar a cada
dificuldade da prova se misturam. A todo instante o
inesperado. Por três vezes encontramo-nos em situações
que achamos que não conseguiríamos. Nestes
momentos o astral baixava a zero. Mas logo sobrevinha uma força
que se originava da garra , da amizade e do companheirismo,
características que nos uniu como equipe. Nunca falhou
em nossas aventuras no vôo livre à mais de 5 anos
e não seria diferente agora.
Os problemas se
iniciaram na largada. A cela do camelo que o Ênio
montava era muito grande para o tamanho do animal e girou por
duas vezes jogando o Ênio no chão, o que resultou
em uma desconfortável mas engraçada situação:
O Ênio correndo para pegar o camelo.
No
caiaque, organizadores e competidores foram surpreendidos por
um mar nada amigável, com ondas de 4,5 m. Nesta etapa 8
equipes necessitaram serem resgatadas e outras tantas foram
obrigadas a finalizar a etapa por terra, pois foram impedidas
de continuar remando devido às más condições
do mar. Completamos toda esta etapa a remo apesar de termos
virado três vezes. Vencida essa etapa iniciaria o que
esperávamos ser a mais fácil fase da competição:
um simples deslocamento de carro. Mas era noite e nosso
sonolento chofer parou para dormir. Impedidos de dirigir e de
comunicarmos com o motorista (ele só falava árabe)
, preciosas horas foram perdidas nesta etapa.
Nervosos
com o atraso saímos rapidamente do carro esquecendo
parte da nossa comida, o que fez com que a fome marcasse
fortemente os próximos 3 dias de treking. A primeira
noite desta etapa foi marcado por 8 horas de caminhada em um
rio raso porém absolutamente gelado. Sombras , sons e
muito sono geravam estranhas alucinações. Estávamos
a 40 horas sem dormir. Esta etapa maltratou exageradamente
nossos pés. A Flávia ficou com imensas bolhas
que carregou com raça até o fim da prova. No início
da segunda noite estávamos a 15 km em linha reta de uma
vila (Taghia), a 3.400 mts de altitude em uma região
extremamente montanhosa e de difícil orientação.
Pela falta de alimento fomos forçados a continuar a
noite, e pela manhã seguinte nos vimos completamente
perdidos.
Desanimados e cansados, o GPS e o rádio
que carregávamos lacrados, nos convidava a abandonar a
prova como fez a equipe japonesa por este mesmo problema. Não
; enfrentaríamos mais este desafio. Continuamos e
encontramos uma família de pastores que pareciam viver
no milênio passado , e que com muita dificuldade para
comunicarmos, levou-nos a uma referência conhecida,
ainda bem longe de nossa trilha. Estávamos de volta a
prova e no rumo certo embora houvéssemos gastado 24
horas em um trecho onde a média das equipes foi de 10
horas.
continuação
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Analisando o mapa na etapa do
Coasteering .
Lançamento do caiaque no PC1.

Final do deslocamento de carro e início
do Trekking/Canyoneering

Etapa de trekking no deserto.
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