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<...continuação Após
o PC2 as dificuldades triplicaram. O vento ficou muito forte , as
ondas chegavam a 2 mts e já remávamos pôr mais
de 9 horas. Agora não tinha como evitar aquela água
gelada e ficamos completamente molhados. O frio era intenso e doía
até os ossos. Podíamos virar a qualquer momento e o
risco de hipotermia era eminente. Sabíamos que estava perto
do PC mas não conseguíamos identificar a entrada do
rio e para complicar já estava escurecendo. É nestas
horas de desespero que o fator psicológico é exigido
ao extremo. Tínhamos que superar a incerteza, a dor, o frio ,
o medo , o cansaço e não podíamos parar.
Sofremos nesta situação pôr 2 horas quando
chegamos. Eu e a Laura erramos na manobra de entrada e quase viramos
ao bater em um banco de areia. Foi um susto e tanto. Acabávamos
de remar 90 km em 12 horas e ao sair do caiaque mal conseguia ficar
em pé.
Tínhamos que carregar o caiaque 10
metros acima da água para então atravessar nadando o
rio e poder colocar roupas secas. Errado. Na travessia o dry bag
arrebentou e as nossas roupas ficaram molhadas. Ficamos desesperados
e pôr algum momento não saibamos o que fazer. Estas são
algumas das dificuldades que acontece com freqüência em
provas sem equipe de apoio, e que fazem do Eco Challenge uma prova única
no mundo.
Ainda
estávamos com as roupas molhadas quando deixamos o PC3 as
24:00 daquele primeiro dia. Nosso destino agora seria cavalgar pôr
40 km até o PC6. No caminho deveríamos parar nos Pcs4
e 5 para descanso obrigatório dos cavalos pôr 2 horas.
A primeira parte fizemos sem forçar os animais e
chegamos até a ser ultrapassados pôr 2 equipes. A noite
estava muito fria e quando paramos no PC4 estávamos
congelando. Aproveitamos para descansar pela primeira vez após
19 horas de corrida. Quando acordamos o dia já estava
clareando e teríamos mais 8 horas de cavalo pela frente, o
que fizemos trotando na maior parte do tempo, até o PC6 ,
aonde se iniciaria um trecho de 37 km de trekking até o PC 7.
Neste PC encontramos vários repórteres
brasileiros que estavam cobrindo a competição.
Deixamos os cavalos e iniciamos a caminhada em exatos 4 minutos. Foi
a transição mais rápida que fizemos em toda
prova.
A
navegação nesta etapa não era difícil ,
mas exigia muita atenção, principalmente quando estávamos
dentro da mata. Passei toda a etapa segurando o mapa e a bússola
e de olho no relógio. Já estive perdido pôr 36
horas em competições anteriores e sabia muito bem o
preço que se paga pôr este erro. Estávamos tão
bem orientados nesta etapa que encontramos os Italianos e Holandeses
indo em um determinado caminho e optamos pôr outro.
Infelizmente ainda estávamos na mata quando escureceu.
Atravessamos um riacho e um pântano de água gelada e
encontramos a equipe da Croácia tentando fazer contato com o
resgate. Um de seus integrante estava com febre e tendo alucinações.
Eles já estavam desclassificados e não tinham feito a
etapa de cavalo. O Leo que é médico chegou a examinar
o Croata. Mas não tinha muito o que fazer . Demos os nossos "químicos
para aquecimento" e combinamos de avisar a equipe de resgate
quando chegarmos ao PC7. Saibamos que estávamos próximo
ao fim , mas progredir no escuro estava quase impossível e
tivemos que parar para dormir até o dia clarear, sob pena de
ficar perdido na mata.
continuação...> |