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Ainda teríamos uma grande surpresa pela frente ao aproximar do PC7. Optamos pôr chegar pela encosta de uma montanha ao invés de entrar em outra mata. Mas quando chegamos perto , já avistando o PC, percebemos que a face desta montanha estava coberta de espinhos. Havia duas soluções: encarar os espinhos ou escalar novamente 1000 mts de montanha e entrar na mata. Encaramos os espinhos e demoramos 2 horas e meia para percorrer os 2,5 km que nos separavam do PC 7.

O PC7 , estava nas margens do lago Gutierrez, um dos locais que estivemos durante o treinamento que fizemos em agosto. Este era o primeiro de uma série de três Resuply Camp (local aonde as equipes encontram os seus gearboxes para reposição de suprimento e troca de equipamento). A partir deste ponto se iniciaria as ascensões em cordas fixas utilizando jumares até o PC 9.

Saimos do PC 7 as 17:00 para iniciar a escalada do pico D`Agostini. Estávamos apreensivos com o tempo que começava a mudar. O vento estava ficando forte e já começava a chover. Chegamos ao PC8 na 21 colocação as 18:30 e encontramos com o Nicolas de La Cruz que é um dos melhores escaladores de altitude da Argentina. O Nico acreditava que aquela chuva passaria e não causaria problema para continuarmos. Encontramos com o time Patagônia que ia lento nas cordas e atrapalhava a nossa ascensão. Percebemos que a nossa sorte estava mudando. Após 2 horas e quase no final das cordas fomos informados que deveríamos voltar ao PC 8 e esperar o tempo melhorar pois o PC 9, estava fechado, o vento estava a 120 km/h e começava a nevar . Um resgate nestas circunstância seria quase impossível. A chuva aumentava e estávamos congelando quando chegamos já escurecendo ao PC8. e nos informaram que agora deveríamos voltar ao PC7 o mais rápido possível.

Iniciava então um dos maiores dramas vivido pôr nossa equipe durante toda a prova e que mudaria completamente a forma de encarar a prova a partir daí. Havia pouca visibilidade, a chuva e o vento estava forte, o nível de água das cachoeiras pôr onde havíamos passado durante a subida tinha aumentado, dificultando a descida. Estávamos descendo junto com a Equipe Patagônia e um guia do Eco Challenge e a situação estava tão crítica que não utilizávamos mais o ATC para fazer os rapels. Segurávamos com a mão e descíamos de qualquer maneira e em algumas situações até duas pessoas na mesma corda. O Richard sofreu uma queda durante a descida lhe causando uma lesão no joelho esquerdo que foi piorando durante a prova . A ordem era descer de qualquer maneira e o mais rápido possível. Chegamos exaustos ao PC7 aproximadamente a meia noite com todas as roupas e equipamentos molhado e com principio de hipotermia. O Leo estava com febre e teve que ser examinado pela equipe médica. Agora nevava também no PC7 e tentávamos secar os nossos equipamentos e roupas em uma lareira no restaurante do staff . Eu e o Daniel , capitão da equipe Patagônia (e que estava na mesma situação nossa), fomos conversar com a organização , e ficamos sabendo que a prova estava paralisada para quem estivesse no PC7. O PC 9 estava destruído pelo vento e teríamos que aguardar pôr uma melhora no tempo e uma mudança no percurso.

Acordamos desanimados no outro dia. O tempo ainda estava ruim, o Leo amanheceu pior, estava com uma forte sinusite e começou a tomar antibióticos. Quando o tempo melhorou e pudemos recomeçar, estamos juntos com todas as outras 30 equipes que estavam atrás da nossa e que tinham chegado ao PC 7 durante a paralisação. O percurso foi alterado até o PC11. As equipes iriam do PC7 ao PC9 pôr um novo caminho e desceriam até as margens do lago Mascardi para inicio da etapa de "Duck" (caiaque inflável em rio).

(No final da prova ganhamos apenas 2 horas de bonificação pelas horas perdidas até o PC 8).

continuação...>



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