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Chegamos ao PC11 as 15:32 do quarto dia de competição. e em 31 lugar ( a nossa pior colocação durante esta prova). Os próximos 40 kms de "duck" até o PC13 seria um alivio para os nossos joelhos (principalmente para o Richard), mas depois se iniciaria 63km de escaladas, incluindo a subida ao Monte Tronador de 3500 mts até o PC27, para então através de caiaque oceânico percorrer os últimos 15 km da prova.

Iniciamos a prova com a idéia de chegarmos entre os 15, mas naquele momento apenas completar nos parecia uma vitória. Alimentamos bem (o PC11 era o segundo Resuply Camp) e as 18:21 seguimos de caiaque em direção ao PC12 e inicio das corredeiras. Esta foi uma das noites mais frias do Eco Challenge. O meu relógio marcava 2 graus quando chegamos, todo molhado ao PC12. Ali marcava o inicio das corredeiras e só poderíamos continuar ao nascer do dia.

Acordamos no quinto dia com o objetivo de chegar ao PC16 em Pampa Linda. Seria uma tarefa dificílima , mas se conseguirmos poderíamos melhorar nossa posição.

Não tivemos problemas em superar as corredeiras, treinamos muito no Vale do Itajaí (um dos melhores lugares do Brasil para a prática deste esporte) além de contar com o Richard que é um experiente canoista e guia de Raft . O Richard e integrante da Ativa Raft , equipe vice campeã brasileira em 99. O que não esperávamos era ter que remar subindo um rio pôr quase 2 horas. Em algumas partes a correnteza era tão forte que tínhamos que sair do rio e carregar os ducks. Estávamos sempre encontrando a equipe Patagônia desde o inicio da prova e inclusive no fatídico PC8 . Passamos aquele dia juntos e combinamos que seguiríamos juntos a partir dali. Esta decisão foi muito importante para ambas as equipes, principalmente durante a travessia na mata de bambu chegando ao PC15. Eram apenas 2 km de mata fechada mas tínhamos que ir abrindo caminho pôr entre os bambus. Saibamos que se escurecesse teríamos problema em chegar a Pampa Linda, então revezávamos entre as equipes ou rasteávamos vários caminhos ao mesmo tempo. Depois de três horas , quase escuro, e em desespero total , encontramos o PC15 e o início dos rapeis no famoso Saltillo de Las Nalcas. Estávamos aliviados e contentes. Agora tínhamos que superar um série de 4 rapeis de 80 metros e estaríamos no último Resuply Camp e início da quarta e última perna da prova. Mas ainda levariamos um susto naqueles rapeis. Na penúltima descida a barraca que eu levava na minha mochila soltou e passou raspando ao Richard que estava a uns 30 metros abaixo e ainda no Rapel. Estava escuro e tivemos muita sorte em acha-la presa a encosta do precipício abaixo do fim do rapel.

Chegamos as 23:37 no PC16, na 26 posição. Estávamos muito cansados, pelo dia, mas extremamente felizes pôr ter conseguido chegar ali. Mas o mais importante : estávamos motivado novamente , a febre do Leo tinha diminuído e o joelho do Richard resistia.

A próxima etapa seria a escalada ao monte Tronador (3500mts). Esta era a etapa mais temida pôr todas as equipes. 2700 metros de desnível , frio , vento , neve fofa e risco de gretas .

Enquanto varias equipes saiam naquela madrugada, decidimos dormir e sair apenas ao amanhecer. Se estivéssemos descansados poderíamos chegar ao cume e abaixar até o refúgio Otto Meiling sem parar.

Saimos as 6:00, entramos e saímos do Chile e as 14:45 chegamos ao refugio Tronador (PC18). A partir deste PC o risco de gretas era grande e teríamos que continuar encordoados e com crampons. Ultrapassamos a equipe Chilena (formada pôr oficiais da marinha) que haviam saído 4 horas antes que a nossa. Antes de escurecer alcançamos o cume do Tronador, em um dos momentos mais emocionantes de toda a prova. Encontramos com o nosso instrutor de escalada em gelo, o Ramiro , que era o responsável em dar segurança no cume. Ramiro deixou que desconectássemos das cordas de segurança e nos levou para mostrar alguns outros picos famosos. A visibilidade era impressionante e o pôr do sol estava maravilhoso. Gostaríamos de ficar mais tempo , mas já estávamos congelando e tivemos que começar a descida.


continuação...>



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