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A descida até o refúgio no PC 23 foi extremamente difícil. Estava escuro, a temperatura já marcava -8 graus e estávamos a mais de 16 horas escalando. Encordoados e pôr causa do forte vento era impossível entender o que os meus companheiros gritavam. Lutava para não dormir andando e a tensão tomou conta de todos. A 100 mts do abrigo, o Leo que era o último da corda sentou na neve e iniciou-se a mais bizarra discussão que já presenciei. Eu a Laura e o Richard queríamos chegar ao abrigo e discuti lá dentro, mas o Leo queria que fosse ali mesmo, acreditando que o abrigo estivesse muito longe. Ficamos discutindo quem estava puxando a corda, se tinha que ir mais rápido ou mais lento e etc. Ficamos nesta situação pôr mais ou menos 5 minutos e demos pôr resolvido a situação. Até hoje não sei o que estávamos discutindo nem o que resolvemos, mas quando entramos no abrigo começamos a dar gargalhadas e não conseguíamos parar de rir da situação pela qual passamos minutos atrás.

Em corridas deste tipo, na qual grande parte do tempo você esta vivendo momentos extremos, tanto físico quanto psicológico, ou ambos, uma discussão como esta pode ter sérias conseqüências para a equipe. Presenciei no Marrocos , a equipe da África do Sul separar em plena corrida e acionar o resgate pôr causa de uma discussão.

Chegamos no abrigo Otto Meiling (PC23) as 24:04. O abrigo estava cheio de equipes, cinegrafistas do Discovery , staff do Eco Challenge e outros escaladores. Para mim este tinha sido o dia mais difícil de todo o Eco Challenge. Senti bastante o peso da mochila ( que pela quantidade de equipamentos obrigatório chegava a pesar 18 kg) e não foi difícil dormir entre tanta bagunça e gente roncando.

As 6 horas da manhã do sétimo dia de competição já estávamos em ação. Saibamos que a parte mais difícil em termos de orientação ainda estava pôr vir entre os Pcs 25 e 26 e que várias equipes estiveram perdida neste trecho inclusive o time Argentino, que ficou 10 horas perdido. Se tudo desse certo aquele poderia ser o último dia para a nossa equipe. Os argentinos do time Patagônia havia saído 20 minutos antes , e procurávamos forçar o ritmo logo no início. O momento decisivo aconteceu após o PC25, quando unimos novamente ao time Patagônia e atravessamos o rio procurando pôr uma trilha que não estava no mapa mas que era citada no Guide Book. Rastreamos em 8 pessoas e em menos de 5 minutos o Richard a encontrou . Agora deveríamos navegar para os pontos citados no guide book e chegaríamos ao PC26. Neste trajeto passamos pôr várias equipes que se encontravam perdidas, entre elas a equipe americana da Pharmanex Stray Dogs o time Finlândia e uma equipe francesa.

Não tivemos problema em acertar a navegação e chegamos ao PC26 para realizar 4 séries de 100 metros de rapel cada uma. Combinamos com os Argentinos que seria 2 cordas para o nosso time e 2 para eles (havia 4 cordas montada em cada rapel). Assim chegamos juntos ao leito de um rio e iniciamos uma corrida para tentar distanciar das outras equipes que acabávamos de ultrapassar. Atravessamos o lago Frey utilizando novamente os "Ducks" , passamos pôr uma mata de bambu e finalmente chegamos ,as 13:30 ao PC27, juntamente com a equipe Patagônia. 15 km de caiaque nos separavam da linha de chegada no PC28. Não perdemos tempo, e em 20 minutos já estávamos remando. A chegada na Bahia Lopez foi emocionante. Misturamos os caiaques entre as 2 equipes e chegamos na praia no mesmo tempo. Era feriado na Argentina e uma multidão estava presente. Mal podia acreditar, mas estávamos completando em 17 lugar. Esta última perna (PC16 ao PC28) era a etapa que tínhamos mais receio antes da prova, mas foi onde fomos melhor: Fizemos o 9o tempo na etapa (1 dia 12 horas 30 minutos) sendo que entre o PC23 até o final fizemos o 2o melhor tempo entre todas as equipes. Nesta etapa passamos de 26o para 17o na classificação geral.

A Laura e o Richard estavam completando um Eco Challenge pela primeira vez. Para os argentinos do time Patagônia, para mim e para o Leo este era a segunda vez que completávamos, e a chegada foi tão emocionante quanto o da primeira vez.

A participação nesta prova exigiu muita dedicação de nossa equipe que além das horas diárias de treinos, tivemos que ir pôr três vezes a Argentina para competir e treinar nos locais da competição. Treinamos caiaque de corredeira em Itajaí Açu (Santa Catarina) aonde estão os melhores rios para esta prática além de uma viagem aos Estados Unidos para adquisição de equipamentos de última geração. Não economizamos para comprar os melhores equipamentos e treinarmos nos melhores locais, mas apesar de termos gasto muito com esta prova, tudo isto só foi possível graças a alguns patrocinadores e empresas que nos apoiaram, simplesmente pôr ter acreditado na nossa equipe e no nosso projeto : A companhia aérea TransBrasil , GNC General Nutricion Center e a cervejaria Crug Bier os nossos patrocinadores , a EcoAventura.com.br , a Camel Back e a Body Glove e a Ativa Raft como apoio, além de outras empresas, familiares e amigos.




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