O
Brasileiro Carlos Sposito cruza correndo o Grand Canyon
Texto
e fotos : Carlos Sposito
A
idéia de ser o primeiro brasileiro a cruzar o Grand Canyon
correndo surgiu durante uma conversa com a ultramaratonista
americana Cathy Tibbetts, em fins de julho. Cathy, participante como
eu da Marathon des Sables no deserto do Sahara, também possuía
no currículo participações na Maratona do
Everest e na ultramaratona do Vale da Morte, além de
adventure races como The Beast of the East. Depois de vários
e-mails estávamos decididos. Agora só faltava contar
para Lauter Nogueira e Luciana Toscano, meus preparadores físicos,
que eu tinha menos de dois meses para me preparar para mais esta.
Caras feias à parte, começamos o treinamento em busca
do tempo perdido...
Depois de 48 horas totalmente gastas
entre aeroportos, vôos e estradas, cheguei 4.feira (6/10) à
noite em Grand Canyon Village, base de onde partiria para a
travessia, com o apoio da Wöllner Outdoor e da Hi-Tec.
Passei
a 5. e a 6. feira (7 e 8/10) conhecendo o local, caminhando por
entre as trilhas, ambientando-me física e psicologicamente,
pois se a visão do canyon é aterradora para qualquer
visitante, imagine para quem pretende cruza-lo correndo...
A
temperatura durante o dia oscilava perto dos 14 graus C apesar do céu
sem uma nuvem, caindo para 4 graus C à noite. E foi neste
ambiente frio e horrivelmente seco que fiz o treinamento de 5.feira,
quase às 22h. No dia seguinte corri em condições
mais agradáveis, às 9h de uma linda manhã.
Estes treinos faziam parte da estratégia de preparação
física, finalizando minha aclimatação à
altitude.
Finalmente, após um reforçado
desjejum e os últimos acertos nos equipamentos, iniciamos,
Cathy Tibbetts e eu, a travessia. O início aconteceu às
8h de sábado (9/10) em South Rim, a uma altitude de 2212m. A
trilha Kaibab é bem demarcada pois, além de ser usada
por caminhantes, existe um razoável trânsito de mulas
que transportam os mais preguiçosos e fazem salvamentos de
caminhantes não preparados.
A
descida foi muito agradável porque a inclinação
da trilha não chegava a comprometer demasiadamente o joelho.
Paramos inúmeras vezes para documentar fotograficamente toda
aquela beleza exposta em ângulos diferentes do visto pelo
observador tradicional que vê o canyon do alto.
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