No fundo do mar

Por : Edna Cardozo Dias

Edna Cardozo" Quando surge o convite para a aventura é hora de seguir adiante e abrir caminho para o novo, de fazer o que for necessário para cruzar a fronteira entre o conhecido e o desconhecido, trazendo riquezas espirituais sem preço."

Ao acordar pela manhã abri o livro "Meditando com os Anjos", de Sônia Café ( Ed. Pensamento, pg. 122) , o espírito da aventura entrou dentro de mim e, neste momento, decidi mergulhar nas profundezas do mar. Quando criança , muitas vezes desejei ser uma sereia e parti em busca desta emoção.

O local escolhido foi Arraial do Cabo - RJ e, assim, parti com um grupo de jovens belorizontinos que foram prestar exame para obtenção de uma "carteira de mergulhador." Numa manhã gelada, partimos para alto mar no barco do Paulo e do Guto. Lembrei-me de que o homem é um animal que foi capaz de vencer todas as vicissitudes, como o clima, as alturas e a profundidade e comecei por vestir a roupa de mergulho, um macacão de neoprene, que se destina a contrabalançar e limitar a troca de calor entre nossa pele e o meio líquido. Depois vesti um colete compensador para controlar a minha flutuabilidade na superfície ou submersa, por meio de uma válvula de sobrepressão. Um cinto de lastro de seis quilos foi posto em minha cintura, para anular a flutuabilidade, assim como um cilindro metálico, que funciona como reservatório de ar , tendo acoplado um tubo de respiração e instrumentos medidores da pressão do ar e da profundidade do mergulho. No rosto uma máscara de mergulho para criar uma camada de ar entre nossos olhos e o meio líquido e permitir uma visão sem distorções, e por fim as nadadeiras. Pretendia me fantasiar de peixe mas, com tanto peso me senti mesmo foi como uma pobre mula. Prometi a mim mesma nunca me esquecer de defender os cavalos .

Para compreender a essência do oceano só existe uma forma, entrar no processo de integração com ele, entrar dentro dele. Com esta reflexão saltei do barco , mas não seria na primeira tentativa que eu desceria, pois minha máscara estava enorme e alagava a cada mergulho. O instrutor insistia que a culpa era minha inaptidão.

Mas, eu nunca desisto e lá estava Marcus Werneck, Presidente da Professional Diver Instrutor Corporation - PDIC , que logo socorreu. Emprestou-me uma pequena máscara, e pacientemente me ensinou a respirar debaixo d'água. E foi pelas mãos gentis e fortes do instrutor Nelson Depieri, da PDIC que afundei até meus pés tocarem a areia macia do fundo do oceano. A essência do oceano entrou em mim naquele primeiro contato e tive certeza de que aquelas águas eram parte de meu ser, pois somos integralmente o universo. A água turva não escondia a beleza dos corais, nem o colorido de um peixe escondido debaixo da pedra. Nelson me conduziu de um lado para outro e eu literalmente deslizei nas profundezas do mar. Cruzando com leveza o oceano, ponto de reunião de todas as águas que levantam e rolam, senti-me como um ser flutuante, parecia voar. A respiração artificial pela boca pareceu-me tão natural, que pude perceber que no ritmo de minha respiração está a chave de todo conhecimento.

Lembrei-me de um filme do super homem, quando levou Lois Lane para um passeio cósmico e ela disse se sentir conduzida por Deus. A verdade é que nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar da grande alegria e do amor que existe dentro de nós. A clareza do sol mora em nosso coração e lá ele nunca se põe.

continuação...>



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