Descendo
as corredeiras do Rio Capivari
Por : Edna
Cardozo Dias
O telefone tocou. Era Iracema ( membro da
LPCA), convidando para fazermos um rafting no Rio Capivari, em
Lavras, MG.
O
rafting é um esporte que consiste em descer corredeiras de
rios em um bote inflável especial, com fundo reforçado,
para proteger do atrito constante com as pedras. Deve ser realizado
com no mínimo quatro remadores equipados com capacete, colete
salva-vidas, remo, corda de salvamento, sapato de borracha ou tênis.
O rafting é recente no Brasil, tendo surgido no
final da década de 80. Praticado desde os anos 70 nos Estados
Unidos e Europa. Os rios mais recomendados são os turbulentos
e com corredeiras capazes de despertar fortes emoções.
Chegamos à Aquatrilha, em Lavras, por volta das
12:00h . Um restaurante com bela vista para o Rio Capivari e dois
botes estavam à nossa disposição, com dois
instrutores, o Alex e o Eric. Após as apresentações
recebemos o equipamento obrigatório e fizemos uma portagem,
isto é, carregamos o bote, em equipe, até as margens
do rio.
Depois de leves exercícios de aquecimento e
um breve treinamento, cada um pegou seu remo e entrou em seu bote. O
Alex, que comandou o bote onde eu estava ditou as instruções.
Remar sempre para frente. Só mudar a direção do
remo sob seu comando. A sincronia e rapidez são regras
obrigatórias para o sucesso do empreendimento. Se o barco
virasse para a esquerda, quem estava á esquerda deveria remar
em ré e quem estava à direita deveria remar para
frente. Se o barco virasse para a direita, quem estava à
esquerda deveria remar para frente e quem estava à direita
remar em ré. Se houvesse peso para um lado todos deveriam se
inclinar para o lado indicado, ao seu comando. Caso alguém caísse
do barco, não tentar nadar, boiar de costas, pois logo seria
resgatado. Ao chegar perto das quedas d'água parar de remar e
deitar na borda segurando nas cordas que passam na borda do bote.
Então, usufruir plenamente a emoção de flutuar
nas águas.
Eram cachoeiras de vários ou de
um só degrau. Mas, a sensação de euforia é
sempre a mesma. Indescritível. Na segunda queda d'água
os botes se encheram de água. Encostamos na margem do rio e
todos tiveram que ajudar a esvaziar os botes. Primeiro virando-o de
costas para devolver a água ao rio, depois virando-o para
cima. Garanto que era bem pesado, tarefa difícil se não
fosse pela presença de quatro rapazes. Na queda seguinte o
Bruno caiu do bote, mas se resgatou sozinho. No meio do percurso uma
parada para nadar nas corredeiras. Para atravessar o rio a ordem foi
nadar dando braçadas como se fosse subi-lo, e no caso de ser
pego pela corredeira flutuar de costas até a margem, e no
final virar de bruços e alcançá-la primeiro com
as mãos. Para retornar à margem de onde viemos havia o
ponto certo onde se atirar nas águas., bem no meio da
corredeira. Ao pular a corredeira inevitavelmente levava a pessoa
rio abaixo , e só mais à frente era possível
nadar para as bordas, batendo bem as pernas.
continuação...> |