Caminhando
nos campos do Senho
Por : Edna Cardozo
Dias
Seguimos
pela Rodovia MG-010 saindo de Belo Horizonte. Passamos por
Vespasiano e Lagoa Santa.. Logo entramos no Parque Nacional da Serra
do Cipó, na porção sul da Serra do Espinhaço,
com 33.800 ha situados nos municípios de Jaboticatubas,
Santana do Riacho, Morro do Pilar e Itambé do Mato Dentro. O
Parque Nacional da Serra do Cipó foi criado em 25 de setembro
de 1984, através do Decreto n.º 90.223, depois de se
encontrar sob a tutela do Estado de Minas Gerais, como Parque
Estadual da Serra do Cipó, desde 1978. Visando maior proteção
da região o Governo Federal criou, ainda, a Área de
Proteção Ambiental - APA do Morro da Pedreira, que
protege parte do conjunto paisagístico da Serra do Espinhaço.
Na época dos bandeirantes, a Serra do Cipó
era conhecida como a Serra da Vacaria e foi um dos itinerários
utilizados pelos desbravadores, ou melhor, depredadores, que
invadiram a região em busca de riquezas minerais. Era o
caminho que os levava até a Vila do Serro Frio e Arraial do
Tejuco, atuais cidades do Serro e Diamantina.
A Serra do
Cipó é um belo conjunto cênico formado por
montanhas, rios, cachoeiras e campos. Seu relevo acidentado é
divisor das águas dos rios São Francisco e Doce, sendo
o rio do Cipó o seu rio mais expressivo. Nosso destino era a
Cachoeira da Farofa, com mais de 70 metros de queda livre, situada
em uma parte do Parque, que até o final do ano passado estava
fechada à visitação pública.
O
dia estava claro, quase sem nuvens. No céu apenas os gaviões
nos saudavam e nos guiavam em nossa caminhada de sete quilômetros
que mal começara. Fomos caminhando por campos cobertos pela
flora de porte rasteiro e vegetação de porte
arbustivo. Por todo percurso vicejavam árvores tortuosas, que
se distribuíam esparsamente . Ao fundo, as montanhas com
rochas expostas se regalavam de todos os lados. O chão
vestido de flores silvestres trazia à terra o reinado da paz
e da beleza.
A trilha de terra é atravessada por
riachos, o que nos obrigou a tirar sapatos e roupas, trazendo maior
animação e alegria. Depois de duas horas de caminhada
avistamos a Cachoeira da Farofa, primeiro como um fio de água
no alto da montanha, mas à medida que aproximávamos
começamos a ouvir o seu rugido forte. Então pensei: -
Não importa os problemas que carregamos em nossos ombros, nos
campos do Senhor há sempre um rio, uma cachoeira, um refúgio,
e nosso lar está nele.
O mais novo do grupo, Thomaz
Luscher Dias, de onze anos, declarou que o contacto com a natureza
lhe fez muito bem e o renovou. Quando voltou para casa não
era mais o mesmo, havia se conscientizado que a natureza deve ser
muito mais respeitada do que pensava. Achou a paisagem muito bonita
e teve um dia muito agradável. Thomaz foi o primeiro a se
atirar nas águas , com toda bravura enfrentou a água
gelada e nadou até o pé da cachoeira, onde o sol fazia
brilhar um arco íris com luzes brilhantes. A cena foi tão
bonita, que eu roguei ao Pai que nunca deixasse a Terra sem o riso
das crianças e mergulhei nas águas atrás dele,
para receber aquela chuva de luz e para sentir na pele o frescor das
águas. Deitei sobre a pedra, exatamente onde a cachoeira se
chocava antes de formar uma piscina. Eu me entreguei à minha
mãe, a Terra, permitindo que a água da vida entrasse
em meu sangue Mais ou menos às duas e meia da tarde, nosso
guia Sandro Ronaldo de Souza, da Cia Trekking, nos chamou. O Parque
se fecha às 17 horas. Era hora de retornar e enfrentar os
sete km de retorno. Na volta todos estavam felizes, em paz, mas
cansados.
continuação...> |