Pachamama, a mãe de toda vida

Por : Edna Cardozo Dias

Nosso planeta tem vários centros magnéticos localizados em áreas precisas, que são a cordilheira dos Himalaya e a Cordilheira dos Andes, representando ambas, respectivamente, os polos positivo e negativo da Terra. O que nos ensinam os sábios de todos os tempos é que nelas se encontram os centros de radiação magnética masculina e feminina. O complemento da energia masculina do Himalaia é a energia mãe dos Andes. Esta energia tocou tão profundamente os habitantes dos Andes, que este povo ( os Incas) identificou nossa Terra, como Pachamama, a mãe de toda vida.

O deslumbrante Vale Sagrado dos Incas se encontra no hemisfério ocidental da América do Sul, no Peru, entre a selva e a serra. E não podemos deixar de dizer, é belíssimo. A sua variedade geográfica e sua instabilidade climática e geológica, fizeram com que o homem desenvolvesse em mil anos, um conhecimento e um pensamento dirigido a encontrar os meios tecnológicos necessários para buscar integrar-se harmonicamente com a natureza. Para isto, diferentemente de muitas culturas, os Incas desenvolveram um modo particular de ver e entender o mundo como um todo vivo e inter - relacionado, do qual o homem é parte indesligável.

Povo extremamente místico, cultivou um saber inigualável, a princípio estudado por astrônomos e sacerdotes, e que refletia uma ciência de caráter sagrado, que se expressava em rituais dirigidos à Pachamama ( mãe natureza, ou mãe de todos os tempos), e posteriormente passou a se refletir em uma atitude comum de respeito de todos os homens pela natureza.

Assim se manifestou o cronista Blas Valera, em 1590: " o sacerdote Inca era um personagem que respeitava os grandes senhores e o povo. Em sua vida observava muita abstinência e nunca comia carne, e apenas ervas e raízes acompanhadas de pão de milho; não bebia vinho, somente água, sua casa era o campo, onde podia meditar livremente nas estrelas; falava pouco e se vestia simplesmente".

A Via Láctea, conhecida no mundo andino como Mayu, o Rio Celestial, serviu aos Incas como eixo de orientação ritual. No mundo da antigüidade existia a idéia de que o sagrado possui sempre um duplo, e existe a concepção de que o Vale Sagrado é um reflexo , em simetria de espelho, com a Via Láctea. Esta concepção da relação integrada do homem com o cosmo pode ser observada facilmente nas pinturas e esculturas encontradas. E este homem compreendia que as sementes da vida de Pachamama deviam ser fecundadas pela luz do sol., e por isso é que se diziam " filhos do Sol", os filhos da luz.

Ensina-nos James Arévalo Merejildo, o Chaski ( artista e promotor da cultura andina), em seu livro " El despertar del Puma", que, para a cultura incaica " a vida não é exclusividade do homem, mas também de tudo que nos rodeia, do que podemos tocar, do que podemos ver, sentir, assim como também do que não vemos e do que se encontra além de nossa realidade imediata; a vida abarca tudo e nos fala também de nosso planeta como o principal sustentador de tudo o que existe. A mãe Terra é aquela que dá vida ao homem, é a divindade excelsa em nosso mundo. E a Pachamama nos ensinou a amar tudo incondicionalmente, nos mostrou o trabalho como uma altíssima virtude, porque amando tudo e construindo com o trabalho nos tornamos sábios".

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