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RunquarqayA partir do 3º dia, começa uma trilha de pedras, construída pelos Incas, que se inicia na ruína de Runquraqay e vai até Machu Picchu. A vegetação e as nuvens encobrem determinadas partes desse trajeto, o que torna bem mais mística a caminhada. Nesse mesmo trajeto pudemos conhecer a ruína de Sayacmarca, construída no topo de uma montanha, em local bastante privilegiado. A impressão que se tem, é que a ruína foi construída justamente para fornecer um visão geral de todos os lados da montanha, evitando ataques inesperados de eventuais inimigos. O clima nessa região era bastante instável. Ora sentíamos um frio intenso, ora um calor absurdo.

PuyoPatamarcaSeguindo a trilha, passamos por um túnel de pedra, feita pelos incas dentro de uma rocha, e mais à frente, nos deparamos com uma ruína maravilhosa chamada PuyoPatamarca, situada à 3.495 m, onde acabamos acampando. Ruína enorme e complexa, com grandes "degraus", feitos para facilitar a irrigação de plantios. Nessa noite preparamos uma sopa de feijão, e ficamos ouvindo contos de alguns nativos, que nos falavam sobre lendas locais, bem como de suas crenças e costumes incas.

Trilha perigosaO 4º dia é o último da caminhada. Descidas e subidas sem fim. Nesse dia apesar da exaustão, a gente não sente vontade de parar, parece que algo lhe puxa para que você não desista. E tem uma explicação: nosso objetivo está próximo. A trilha continua linda e também perigosa. Uma escalada de 90º graus em que se tem de subir uma escada de pedras com as mãos, seguindo por precipícios sobre pontes de toras escoradas. Até que no final de uma escadaria mais suave, se chega a um portal (Inti Punko - Porta do Sol - 2.560m), situado no alto da montanha que é o local onde se avista toda Machu Picchu. É êxtase puro, não dá vontade de parar de olhar a beleza deste lugar. Sem dúvida a mais linda e perfeita de todas as ruínas. Ninguém sai desta lugar indiferente, pois sua história e arquitetura nos revelam uma civilização com grande crescimento espiritual. Suas 109 escadarias, contendo 3.000 degraus aproximadamente, fazem desta verdadeira "cidade Inca", uma das mais misteriosas e fascinantes.

Machu PicchuMachu Picchu é a mais bela das ruínas, mas não é a única existente no Vale Sagrado. Apenas quem faz a caminhada é que acaba conhecendo as demais, que igualmente são maravilhosas pela beleza e fascínio que desperta nas mais diversas pessoas. Por isso, vale a pena se aventurar pela trilha, passando por seus diversos pontos de dificuldade para se conhecer efetivamente a cultura inca.

A realização de ter feito a caminhada e chegar ao seu destino final, é de uma gratidão enorme. Parece que você faz parte daquilo tudo. E realmente quando um sonho é concretizado, você acaba fazendo parte dele.

Terminaria esse texto, com a seguinte frase de Paulo Coelho:
"Viajar é a experiência de deixar de ser quem você se esforça para ser e se transformar naquilo que você é."

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